“Espelho, Espelho Meu” é um documentário sobre o abismo econômico e cultural que existe no Brasil entre os mais ricos, que são os produtores da informação, e os mais pobres, receptores dessa mesma informação. É também um estudo sobre as contradições que habitam o imaginário de grande parte da população brasileira. O filme aborda estes assuntos através de uma dinâmica de interpretação e crítica de cenas da teledramaturgia brasileira, checando o modo como esta é recebida e percebida pela população pobre. Qual o nível de consciência que estas pessoas têm do abismo que as separa do outro lado da tela, das tramas e personagens de novelas? Há identificação? Há crítica? Como eles vêem a representação ficcional da relação entre pobres e ricos? O documentário trará esta investigação através da mistura de ENCENAÇÕES e ENTREVISTAS. a) ENCENAÇÕES: A equipe escolherá uma favela ou uma comunidade carente dentro da cidade de São Paulo e, dentro desta comunidade, escolherá cerca de 25 pessoas que interpretarão pequenos extratos de textos de novela. A única exigência para a escolha dessas pessoas é que assistam novelas. A caracterização de personagens, cenários e figurinos ficarão por conta dos próprios participantes. Eles interpretarão com suas próprias roupas, nas suas próprias casas ou nas ruas da comunidade em que vivem. A idéia é contrapor a vida cotidiana dessas pessoas com a ficção que elas estão acostumadas a acompanhar pela televisão. b) ENTREVISTAS: Antes e depois de interpretar as cenas, os participantes serão entrevistados. As perguntas serão sobre o universo ficcional das novelas, com deixas para que as pessoas relacionem suas vidas com a teledramaturgia. É o momento em que eles construirão ou não uma crítica da contradição social que será exposta nas cenas. A equipe do filme não influenciará na formação da consciência crítica do processo por parte dos moradores, que poderá acontecer ou não. Como se trata de um documentário, onde a espontaneidade das falas deve não só ser mantida como valorizada, a estrutura proposta a seguir é flexível, podendo sofrer ajustes em função dos depoimentos obtidos. O resultado final deste processo será um mosaico de encenações e opiniões que trará pistas, idéias, caminhos para entender a formação do imaginário da população urbana pobre das grandes cidades brasileiras. Na montagem do material, as contradições do processo serão explicitadas dialeticamente, sem juízo de valor sobre as pessoas e suas ações. A ressignificação do processo ficará por conta dos espectadores.
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