“Porque este é o plano dos banqueiros – livrar-se do ser humano, nos dois lados do balcão.” Esta fala, proferida com indignação pela personagem “Cliente”, sintetiza o principal mote de “Odeio Bancos”: uma crítica ao esvaziamento das relações humanas em prol da globalização, da massificação, da informatização que não simplifica, mas, pelo contrário, aumenta a burocratização. A desvalorização do cidadão enquanto indivíduo é cada vez mais presente nos grandes centros urbanos, não por acaso campeões em termos de crises de stress, síndromes de pânico e surtos de violência. “Odeio Bancos” trabalha com o bom humor para criticar a relação hipócrita e massacrante de uma instituição tão forte e presente como o Banco com a comunidade. Para criar um clima de “propaganda de margarina” a ser desconstruído, “Odeio Bancos” será filmado utilizando-se como ponto de partida câmeras e luzes suaves, um ambiente claro e limpo. Tal leveza contrastará de maneira irônica com o elemento desestabilizador: uma mulher quebra as expectativas e questiona a lógica a que todos estão condicionados, exigindo seus direitos enquanto cidadã. Sua atitude destrutiva e radical aumenta o deboche no contraponto com a atitude da gerente, que, ensangüentada, continua repetindo maquinalmente o discurso publicitário da instituição bancária.
Projeto de curta-metragem ficcional baseado na adaptação do texto “Cordialmente Teus”, do dramaturgo Aimar Labaki.
ODEIO BANCOS
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